Acorda de sobressalto, olha
para o relógio do celular e vê a hora. Quatro e quinze. Um filete de suor
escorre pela sua fronte, acabou de ter um pesadelo. Encosta o travesseiro na
parede para se acomodar melhor. Senta-se devagar. Espicha as pernas e espreguiça-se
demoradamente. Os olhos aos poucos vão se acostumando ao breu.
A réstia de luz que entra pela
porta do quarto ilumina suavemente a cama e ele a olha enternecido. Ela dorme o
sono dos justos. Ou o sono decorrente de uma noite feliz. Seus lábios estão
entre entreabertos, como um sorriso. Seus cabelos loiros, platinados estão
desgrenhados e lhe cobrem um pedaço do rosto que mesmo ali, com uma luz
bruxuleante, parece se iluminar.
Seu corpo alvo, lânguido, está
relaxado, o que lhe dá um ar ainda mais tranquilo. Ela ressona baixinho. Quase
um suspiro. Ele passa sua mão em seu ombro, lhe acaricia com carinho e ela se
arrepia, chega mais perto e tenta se aninhar em seu corpo. Sente frio... Como
sempre.
Ele coloca o travesseiro na
posição habitual, desliza o corpo pela cama e volta a se deitar, encosta seu
corpo no dela, para lhe aquecer, lhe proteger. O suspiro se transforma em um
gemido longo, seus lábios se encontram. Um beijo longo, quente, gostoso. Ela
agora abre os olhos e lhe sorri. Um sorriso largo, suas mãos se entrelaçam.
Conforme o corpo dela vai
relaxando, amolecendo aos poucos, sendo vencido pelo sono inclemente, ele lhe
puxa com cuidado para mais perto. Seus braços em volta do seu dorso, lhe
abraçando forte. Ela responde da mesma forma e adormece
com o rosto recostado
em seu peito.
Ela boceja e tanta falar alguma coisa, mas inaudível. Ele beija sua testa e sorri. Sabe que está onde queria estar e com a pessoa que lhe faz feliz. Fecha os olhos e relaxa. Um sopor sereno e sauve toma conta de seu corpo.