sábado, 12 de maio de 2012

DESPERTO


                                                             

     Acorda de sobressalto, olha para o relógio do celular e vê a hora. Quatro e quinze. Um filete de suor escorre pela sua fronte, acabou de ter um pesadelo. Encosta o travesseiro na parede para se acomodar melhor. Senta-se devagar. Espicha as pernas e espreguiça-se demoradamente. Os olhos aos poucos vão se acostumando ao breu.

     A réstia de luz que entra pela porta do quarto ilumina suavemente a cama e ele a olha enternecido. Ela dorme o sono dos justos. Ou o sono decorrente de uma noite feliz. Seus lábios estão entre entreabertos, como um sorriso. Seus cabelos loiros, platinados estão desgrenhados e lhe cobrem um pedaço do rosto que mesmo ali, com uma luz bruxuleante, parece se iluminar.

     Seu corpo alvo, lânguido, está relaxado, o que lhe dá um ar ainda mais tranquilo. Ela ressona baixinho. Quase um suspiro. Ele passa sua mão em seu ombro, lhe acaricia com carinho e ela se arrepia, chega mais perto e tenta se aninhar em seu corpo. Sente frio... Como sempre.

     Ele coloca o travesseiro na posição habitual, desliza o corpo pela cama e volta a se deitar, encosta seu corpo no dela, para lhe aquecer, lhe proteger. O suspiro se transforma em um gemido longo, seus lábios se encontram. Um beijo longo, quente, gostoso. Ela agora abre os olhos e lhe sorri. Um sorriso largo, suas mãos se entrelaçam. 

     Conforme o corpo dela vai relaxando, amolecendo aos poucos, sendo vencido pelo sono inclemente, ele lhe puxa com cuidado para mais perto. Seus braços em volta do seu dorso, lhe abraçando forte. Ela responde da mesma forma e adormece 
com o rosto recostado em seu peito.

      Ela boceja e tanta falar alguma coisa, mas inaudível. Ele beija sua testa e sorri. Sabe que está onde queria estar e com a pessoa que lhe faz feliz. Fecha os olhos e relaxa. Um sopor sereno e sauve toma conta de seu corpo.