quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

PIÁ!

     Antes mesmo de você chegar já era amado por todos. Lembro como se fosse hoje. A alegria quase sufocante de saber que estavas a caminho.
     Deram-te o nome do teu tio. Era de certa forma, um retorno, um recomeço, um alento para os velhos. E ao mesmo tempo havia a preocupação que teu nome viesse a ser um fardo. Mas não foi. Nunca.
     O primeiro presente fui eu quem comprei. Na mesma tarde que fiquei sabendo que seria tio. Não tinhas ainda o corpo totalmente formado, mas já era aquele que enchia nossos corações de vida. De alegria e de esperança.
     Você chegou, Rechonchudo. Cheio de dobrinhas. Cabeludo. Poucos dias depois de teu avô escapar da morte. Hoje eu sei. Ele não poderia nunca ir sem conhecer o maior amor da vida dele. Sim. Foi você que o presenteou com mais quatorze anos de vida.
     Tua avó foi a segunda mãe. A que sabia te acalmar, a que acalentava. A que se doava. Viu só? Nisso ambos tivemos sorte. Os dois com duas mães.
     Tua mãe, o que dizer? Para ela, você foi a maior "obra" de uma vida. Mãe. Amiga. Companheira. A amiga dos teus amigos, a sogra "puxa-saco" (no bom sentido) e sempre defensora da Aline, a tua namorada, companheira e parceira de todas as horas. O amor incondicional. Em seu estado puro. Eterno. A que se preocupa. A que sofre. A que chora. Mas principalmente a que se orgulha. A que vibra pelo filho concebido, criado, educado, formado e hoje, bixo novamente.
     Tuas tias, tios, primas e primos, mesmo à distância e por saberem que sempre foi o "mais na sua" da família, sempre te entenderam, sempre te amaram, assim como és.
     Eu? Bem, talvez tenha  te influenciado em algumas coisas. O time escolhido, amado e sempre defendido. As tentativas "frustradas" para que se tornasse um zagueiro vigoroso. A iniciação no videogame. As viagens como meu co-piloto. Os primeiros toque sobre as meninas. As idas e ajudas para as festas. 
     Mas fui principalmente aquele que quase calado, admirava e se orgulhava de levar o sobrinho nenê, passear de carro na praia, para somente assim, após horas, finalmente parar de chorar e dormir. Ali mesmo. Aquele que achava o máximo fazer patas de coelho com talco na páscoa para você procurar o ninho. Nem deve lembrar, mas eu fazia caminhos falsos para te sacanear. O que imitava a voz grossa do Papai Noel para o "Pimpo" que ficava admirado com isso. Aquele que passava horas (por mais incrível que pareça isso hoje, já que desde sempre fostes quieto e reservado)  papeando no quarto. Desenhando. Tentando me explicar esses desenhos. Ajudando o "Tio Dindo" com o aquário. Repetindo desajeitadamente "Yarenchuk" e "Yakovenko", mesmo recém aprendendo a falar. O que te acompanhava quase todo final de tarde deitado no chão da sala vendo o Chaves e Chapolim, gargalhando quase juntos. O que corria desembestado, todo suado, dessarumado por entre mesas e convidados na minha formatura.
     Até que foi crescendo o piá. Até se tornar o Paulinho, cabeludo, grandão, dono de si. Festeiro, querido por todos, rodeado de amigos. Dedicado. Estudioso. Trabalhador. Batalhador. Professor.
     Quieto. Dinâmico. Centrado. Irritadiço. Casmurro às vezes. Realmente, coisas da família. 
     Mas sempre, para mim, o piá. Aquele que até hoje na hora de sair, tem que voltar para fazer alguma coisa que esqueceu. Futuro médico. 
     Orgulho de ti. Sempre. Obrigado por novamente iluminar nossas vidas.
     Te amo, piá!

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