- Onde tava Zé?
- Ali.
- Ali, onde?
- Ali, ajudando o Tunico com as lata!
- De novo, bocó? Não vê que ele tá de golpe, como sempre?
- Tá não! Ele é do bem! É meu mano!
- Que mano o quê, seu ingrato! Teu único mano é o Beto. E tu
sabe onde ele tá, né fedelho?
- Sei sim.
- E onde tá?
- No xilindró, mãe, a casa dele caiu.
- E porque caiu, guri?
- Por causa dos golpe.
- Ah, os golpe. Que golpe?
- Os que o Tunico arranjava.
- Viu abobado? E eu não avisei?
- Ãham...
- Como é que é? Ãham?
- Avisou mãe. Avisou
- Isso é jeito de falar com tua mãe, pirralho?
- Não sô pirralho! Tenho quase 13!
- Nossa! É o quê então?
- Sô hômi.
- Ah... Hômi?
- Então te manda comprar a comida pra hoje, hominho!
- Fica debochando não. Sô hômi sim...
- Hômi de beicinho?
Hahahahaha!
- Não ri, mãe!
- Ah, agora sou sua mãe, é hômi?
- Desculpa mãe.
- Vem cá ranhento! Dá um beijo na mãe, pega o dinheiro
dentro da lata da banha.
- Pra quê?
- Dia de Coca-Cola, esqueceu?
- É mesmo! Vou lá!
- E volta logo pra almoço, ou teu pai come todos os bife!!
- Volto sim! Tenho que pegar minha grana das lata com o
Tunico! Berrou já dobrando a esquina, correndo, pé no chão, em disparada! Sorriso largo... Dalva
tentou lhe avisar pra ir direto ao mercado, quando sua voz foi calada por uma
rajada. Seca, Ensurdecedora. Rápida. E por um grito conhecido e desesperador.
Suas pernas ficaram bambas, sua pressão baixou. Sentiu os olhos escurecendo. Caiu
desacordada.
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terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Lero. Plá!
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