Na Vila do Gato Pançudo, nenhum
morador sabia a origem do estranho nome da quadrilha, “Gangue do Aborígene
Empalador”. Não bastasse isso, poucos da comunidade deviam saber o significado,
tanto de “aborígene”, quanto de “empalador”. Dos membros da quadrilha, só um
tinha uma vaga idéia do que queria dizer...
Birosca,
Cueta, Chernobil, Gargamel e Bisteca. Eis o bando. Eles apavoravam, não só a
vila, como toda a redondeza, toda a cercania.
Em
verdade, toda a cidade temia o quinteto, pois eram tidos como violentos,
sanguinolentos, dementes e impiedosos. Mas enquanto continuasse a agir, ou
seja, matar, ferir e roubar na periferia, para a “nata” da sociedade, estava
tudo ás mil maravilhas!
O
comentário que mais se ouvia junto ao coreto da praça, no átrio da igreja, em
frente à delegacia de polícia e no estacionamento do fórum, é que enquanto
continuassem a matar e roubar somente a gentalha, a tigrada, estava tudo
muitíssimo bem.
Inclusive
o prefeito, Sr. Golbery Calçadas bradava em alto e bom som em seu gabinete
luxuoso, mas de péssimo gosto, que “QUANTO MAIS SE MATAREM, MELHOR! LIMPA A
CIDADE! AREJA O AMBIENTE”!
Só
ficava um pouco chateado quando lembrava que teria menos Zé Povinho para pagar
impostos, tributos, taxas... Mas logo emendava novamente aos gritos: “É O PREÇO
DO DESENVOLVIMENTO! É O PREÇO! É O PREÇO”!
O pároco Augusto Paulo, era filho de influente político da capital, da
tradicional família Dophilo. Assim, o pároco conhecido de longa data, por
Augusto P. Dophilo fazia vistas grossas ao sofrimento de seu rebanho, de seus
fiéis, menos abastados e mais afastados... "É, A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL PARA NINGUÉM. MAS DE REPENTE EU LEMBRO DE REZAR PARA ELES... DESDE QUE O DÍZIMO ESTEJA EM DIA"...
E
o delegado Astolfo Dias Povo, pouco se lixava para o que acontecia nas vilas. O
centro estando em ordem, com aparência de seguro, com ruas parcialmente
vigiadas, passando a sensação de tranqüilidade e a bandidagem agindo nos
bairros, nos becos, antros e ruelas, todos “de bem” ficavam felizes.
E
assim seguia a vida feliz, despreocupada, fútil e vã da “high society” de Capim
Canela.
Mas
nos últimos dias, algo parecia diferente. Pesado. Estranho. Quem primeiro percebeu foi o Balbuena, gerente
do Banco H. Romeu Pinto, o único de toda região.
O
próprio clima, árido, baforento, sem nenhuma brisa, parecia prenunciar o
flagelo vindouro...
continua
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