quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

TORRIDEZ


     Na Vila do Gato Pançudo, nenhum morador sabia a origem do estranho nome da quadrilha, “Gangue do Aborígene Empalador”. Não bastasse isso, poucos da comunidade deviam saber o significado, tanto de “aborígene”, quanto de “empalador”. Dos membros da quadrilha, só um tinha uma vaga idéia do que queria dizer...

     Birosca, Cueta, Chernobil, Gargamel e Bisteca. Eis o bando. Eles apavoravam, não só a vila, como toda a redondeza, toda a cercania.

     Em verdade, toda a cidade temia o quinteto, pois eram tidos como violentos, sanguinolentos, dementes e impiedosos. Mas enquanto continuasse a agir, ou seja, matar, ferir e roubar na periferia, para a “nata” da sociedade, estava tudo ás mil maravilhas!

     O comentário que mais se ouvia junto ao coreto da praça, no átrio da igreja, em frente à delegacia de polícia e no estacionamento do fórum, é que enquanto continuassem a matar e roubar somente a gentalha, a tigrada, estava tudo muitíssimo bem.

     Inclusive o prefeito, Sr. Golbery Calçadas bradava em alto e bom som em seu gabinete luxuoso, mas de péssimo gosto, que “QUANTO MAIS SE MATAREM, MELHOR! LIMPA A CIDADE! AREJA O AMBIENTE”!

     Só ficava um pouco chateado quando lembrava que teria menos Zé Povinho para pagar impostos, tributos, taxas... Mas logo emendava novamente aos gritos: “É O PREÇO DO DESENVOLVIMENTO! É O PREÇO! É O PREÇO”!

     O pároco Augusto Paulo, era filho de influente político da capital, da tradicional família Dophilo. Assim, o pároco conhecido de longa data, por Augusto P. Dophilo fazia vistas grossas ao sofrimento de seu rebanho, de seus fiéis, menos abastados e mais afastados... "É, A VIDA NÃO ESTÁ FÁCIL PARA NINGUÉM. MAS DE REPENTE EU LEMBRO DE REZAR PARA ELES... DESDE QUE O DÍZIMO ESTEJA EM DIA"...

     E o delegado Astolfo Dias Povo, pouco se lixava para o que acontecia nas vilas. O centro estando em ordem, com aparência de seguro, com ruas parcialmente vigiadas, passando a sensação de tranqüilidade e a bandidagem agindo nos bairros, nos becos, antros e ruelas, todos “de bem” ficavam felizes.

      E assim seguia a vida feliz, despreocupada, fútil e vã da “high society” de Capim Canela.

     Mas nos últimos dias, algo parecia diferente. Pesado. Estranho. Quem primeiro percebeu foi o Balbuena, gerente do Banco H. Romeu Pinto, o único de toda região.

     O próprio clima, árido, baforento, sem nenhuma brisa, parecia prenunciar o flagelo vindouro...

                                                                                                                                                
                                                                                                                                                                                                             continua

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